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Laudo de Demanda para Condomínios: Como Avaliar a Capacidade Elétrica para Instalação de Carregadores

Laudo de Demanda para Condomínios: Como Avaliar a Capacidade Elétrica para Instalação de Carregadores

Seu condomínio realmente tem energia disponível para instalar carregadores?

Essa é uma das primeiras perguntas que surgem quando um condomínio começa a receber solicitações de moradores para instalação de carregadores de veículos elétricos.

A resposta, porém, não está simplesmente na potência do transformador ou na corrente do disjuntor geral.

Um condomínio pode possuir um transformador de 300 kVA, por exemplo, mas isso não significa que existam 300 kVA disponíveis para novos carregadores.

Da mesma forma, observar apenas a demanda registrada em um determinado momento pode levar a conclusões equivocadas.

Para entender quanto de potência realmente pode ser destinada à mobilidade elétrica, é necessário analisar como o condomínio consome energia ao longo do tempo.

É nesse cenário que entra o laudo de demanda.


O que é um laudo de demanda?

O laudo de demanda é um estudo técnico que busca determinar o comportamento da carga elétrica de uma instalação e sua capacidade de atender novas cargas sem comprometer a segurança e a operação do sistema.

Em um condomínio, isso significa analisar não apenas a demanda máxima, mas também:

  • Consumo ao longo do dia;
  • Horários de maior demanda;
  • Variações entre dias úteis e finais de semana;
  • Sazonalidade;
  • Comportamento durante férias;
  • Uso de áreas comuns;
  • Sistemas de bombeamento;
  • Elevadores;
  • Climatização;
  • Iluminação;
  • Geradores e sistemas auxiliares;
  • Carregadores já instalados;
  • Margem disponível para novas cargas.

Quando o objetivo é instalar carregadores de veículos elétricos, o estudo precisa ir além do diagnóstico da situação atual.

É necessário também simular o impacto da nova demanda.


Por que olhar apenas a potência do transformador não é suficiente?

Imagine um condomínio atendido por um transformador de:

300 kVA

À primeira vista, pode parecer que existe bastante capacidade disponível.

Mas suponha que, nos horários de maior consumo, o condomínio já atinja:

250 kVA

Nesse cenário, não seria correto simplesmente concluir que existem 50 kVA disponíveis para os carregadores.

É necessário verificar como essa demanda se comporta, quais equipamentos estão contribuindo para o pico, quais cargas são simultâneas e qual margem de segurança deve ser considerada.

Além disso, a demanda do condomínio pode aumentar significativamente em determinadas épocas do ano.

É justamente aí que entra um dos fatores mais importantes do estudo:

Sazonalidade.


1. A sazonalidade pode mudar completamente o resultado

Um condomínio residencial não possui necessariamente o mesmo perfil de consumo durante todo o ano.

Na Grande Florianópolis, esse aspecto merece atenção especial.

Durante o verão, por exemplo, podem ocorrer mudanças importantes no comportamento da carga:

  • Maior utilização de ar-condicionado;
  • Maior ocupação dos apartamentos;
  • Maior utilização das áreas de lazer;
  • Piscinas em funcionamento;
  • Sistemas de bombas operando por mais tempo;
  • Maior utilização de elevadores;
  • Maior permanência dos moradores no condomínio;
  • Maior demanda em períodos de férias.

Em um condomínio localizado no litoral ou com grande quantidade de unidades utilizadas como segunda residência, essas diferenças podem ser ainda mais relevantes.

Por isso, analisar apenas um mês de consumo pode produzir uma fotografia incompleta da instalação.


O ideal é analisar pelo menos um ciclo anual

Para um estudo de demanda destinado ao planejamento de carregadores, uma boa prática é trabalhar com o histórico de consumo e demanda de um período suficientemente longo para capturar diferentes condições de operação.

Quanto maior o histórico disponível, melhor a compreensão do comportamento da instalação.

Um histórico de 12 meses já permite observar diferentes períodos do ano.

Quando existem dados de períodos mais longos, eles podem ajudar a identificar comportamentos recorrentes e eventos excepcionais.

O objetivo não é simplesmente descobrir:

> "Qual foi a maior demanda?"

Mas sim:

> "Qual é o comportamento da demanda do condomínio ao longo do ano e em quais condições ocorre o maior carregamento da instalação?"


2. Curva de carga: o coração do estudo

Uma das informações mais importantes para avaliar a capacidade de instalação de carregadores é a curva de carga.

Ela mostra como a demanda elétrica varia ao longo do tempo.

Em vez de olhar apenas para um número, passamos a enxergar o comportamento da instalação.

Por exemplo:

Nesse exemplo, o período de maior demanda acontece à noite.

E isso é extremamente importante para a mobilidade elétrica.

Por quê?

Porque é justamente nesse período que muitos moradores chegam em casa e conectam seus veículos.


O pico do condomínio pode coincidir com o pico dos carregadores

Esse é um dos principais pontos que um estudo de demanda precisa avaliar.

Imagine um condomínio que normalmente apresenta seu maior consumo entre:

18h e 22h.

Agora imagine que grande parte dos moradores chegue em casa nesse mesmo período e conecte seus veículos.

Temos então:

Demanda do condomínio + demanda dos carregadores

acontecendo simultaneamente.

Isso pode produzir um novo pico de demanda.

E é esse novo pico que precisa ser estudado.


3. O horário de recarga é tão importante quanto a potência do carregador

Considere um carregador de:

7,4 kW

Isoladamente, parece uma carga relativamente pequena.

Mas imagine:

20 carregadores × 7,4 kW = 148 kW

Se todos os veículos começarem a carregar simultaneamente no mesmo horário, a nova demanda potencial será significativa.

Porém, isso não significa necessariamente que o condomínio precise reservar 148 kW adicionais de forma permanente.

É possível utilizar estratégias de gerenciamento de carga.

Por exemplo:

  • Priorizar determinados veículos;
  • Distribuir a potência entre os usuários;
  • Reduzir a potência durante o pico do condomínio;
  • Aumentar a potência disponível durante períodos de menor consumo;
  • Estabelecer regras de prioridade;
  • Utilizar a capacidade ociosa da instalação.

O estudo de demanda é justamente o que permite identificar quando e quanto de potência pode ser disponibilizado.


4. Não basta analisar o consumo médio

Esse é um dos erros mais comuns.

Imagine dois condomínios que apresentam um consumo médio de:

150 kW

Parece que os dois possuem o mesmo perfil.

Mas o primeiro pode apresentar uma curva relativamente estável:

130 → 150 → 160 kW

Enquanto o segundo pode apresentar:

80 → 100 → 270 kW

O consumo médio é semelhante, mas o comportamento elétrico é completamente diferente.

Para dimensionar uma infraestrutura de recarga, essa diferença é fundamental.

O que interessa não é apenas quanto o condomínio consome em média.

É necessário entender como a demanda se distribui ao longo do tempo e qual é o pico real da instalação.


5. É preciso identificar as cargas responsáveis pelo pico

Um bom laudo não deve simplesmente apontar o maior valor registrado.

É importante tentar entender por que aquele pico aconteceu.

Em condomínios, algumas cargas podem contribuir significativamente para a demanda:

Elevadores

Podem apresentar picos elevados durante determinados períodos.

Bombas

Bombas de recalque, pressurização, drenagem e piscina podem influenciar o comportamento da instalação.

Piscinas

Sistemas de filtragem, aquecimento e bombas podem aumentar o consumo em determinados períodos.

Climatização

Em períodos quentes, o uso simultâneo de ar-condicionado pode alterar significativamente a demanda.

Áreas de lazer

Academias, salões, saunas, iluminação e outros equipamentos também devem ser considerados.

Garagens

Iluminação, ventilação e demais sistemas da garagem podem ter comportamento específico.

Tudo isso precisa ser considerado antes de definir quanto da infraestrutura elétrica pode ser destinado à mobilidade elétrica.


6. O verão pode ser o pior cenário

Em Santa Catarina, especialmente na região litorânea, esse ponto merece atenção.

Imagine um condomínio que apresenta:

Demanda máxima no inverno: 180 kW

e:

Demanda máxima no verão: 240 kW

Se o estudo considerar apenas os meses de menor demanda, a capacidade disponível poderá ser superestimada.

Agora imagine que o condomínio possua um transformador de:

300 kVA

No inverno, pode parecer que existe uma margem confortável.

No verão, essa margem pode ser significativamente menor.

E se adicionarmos os carregadores justamente no horário de maior ocupação?

O cenário muda novamente.

É por isso que a sazonalidade precisa fazer parte do estudo.


7. Dias úteis e finais de semana também podem ser diferentes

Outro ponto importante é separar os perfis de operação.

Um condomínio pode apresentar comportamentos completamente diferentes em:

  • Segunda a sexta;
  • Sábados;
  • Domingos;
  • Feriados;
  • Férias escolares;
  • Alta temporada.

Isso é especialmente importante quando existe uma área de lazer significativa ou quando o empreendimento possui características de condomínio de praia.

Um pico que não aparece em uma análise simplificada pode surgir justamente em um final de semana de verão.


8. Condomínios de segunda residência merecem atenção especial

Esse tipo de empreendimento pode apresentar um comportamento bastante diferente de um condomínio residencial convencional.

Durante boa parte do ano:

baixa ocupação → baixa demanda

Durante feriados e alta temporada:

alta ocupação → alta demanda

Se a infraestrutura para carregadores for dimensionada com base apenas no período de baixa ocupação, o resultado pode ser inadequado.

É necessário analisar o pior cenário operacional razoavelmente esperado.


9. A demanda futura também precisa entrar no cálculo

Outro erro comum é avaliar apenas a situação atual.

Imagine um condomínio com:

4 veículos elétricos hoje.

O estudo aponta que existe capacidade para instalar mais 10 carregadores.

Isso significa que devemos instalar infraestrutura apenas para esses 10?

Não necessariamente.

É preciso pensar:

> Quantos veículos elétricos o condomínio poderá ter daqui a 5 anos?

Se o empreendimento possui 200 apartamentos, por exemplo, a infraestrutura pode precisar ser planejada para uma penetração muito maior da mobilidade elétrica no futuro.

Isso não significa necessariamente instalar todos os carregadores agora.

Significa preparar a infraestrutura elétrica e física para que eles possam ser instalados posteriormente.


10. A Celesc possui requisitos específicos para carregadores em condomínios

Esse ponto é particularmente importante para projetos na área de concessão da Celesc.

A norma de fornecimento de energia elétrica para edificações de uso coletivo da Celesc estabelece requisitos específicos para estações de recarga.

Um deles é especialmente relevante para o estudo de demanda:

> A estação ou ponto de recarga deve ser considerada carga especial, com fator de demanda de 100%, para fins de cálculo da demanda provável e declaração da carga instalada.

A norma também estabelece que, quando existe sistema de controle de demanda das estações, a demanda gerenciada pelo equipamento deve ser considerada como carga especial.

Isso reforça uma questão importante:

não basta dizer que "os carros não vão carregar todos ao mesmo tempo".

É necessário demonstrar tecnicamente como a infraestrutura será dimensionada e, quando aplicável, como o gerenciamento de demanda será utilizado.


11. Demanda contratada também precisa ser avaliada

Em condomínios atendidos em média tensão, a análise pode envolver não apenas a capacidade física da infraestrutura, mas também a relação com a demanda contratada.

A Celesc classifica consumidores atendidos em tensão igual ou superior a 2,3 kV como Grupo A, caracterizados pela tarifa binômia.

Para esses consumidores, a demanda contratada e o comportamento da demanda medida possuem impacto direto na operação e nos custos da unidade consumidora.

A própria Celesc possui procedimentos específicos para alteração da demanda contratada nas modalidades tarifárias do Grupo A.

Por isso, em um condomínio Grupo A, o estudo para instalação de carregadores deve considerar também o impacto da nova carga na estratégia de demanda da unidade consumidora.


12. O laudo deve simular diferentes cenários

Um bom estudo não deveria entregar apenas uma conclusão do tipo:

> "O condomínio possui 50 kW disponíveis."

O ideal é apresentar diferentes cenários.

Por exemplo:

Cenário atual

Demanda máxima atual:

220 kW


Cenário 1 — 5 carregadores

5 × 7,4 kW = 37 kW


Cenário 2 — 10 carregadores

10 × 7,4 kW = 74 kW


Cenário 3 — 20 carregadores

20 × 7,4 kW = 148 kW


Cenário 4 — 20 carregadores com gerenciamento

A potência máxima destinada à recarga pode ser limitada a um valor definido pelo estudo.

Isso permite que o condomínio compare:

mais carregadores + gerenciamento

versus

menos carregadores + maior potência individual

versus

ampliação da infraestrutura elétrica.


13. Não existe apenas uma "potência disponível"

Essa é uma das conclusões mais importantes.

Quando alguém pergunta:

> "Quantos carregadores o condomínio suporta?"

A resposta correta depende de várias variáveis.

O condomínio pode, por exemplo, suportar:

10 carregadores de 7,4 kW

mas não necessariamente:

10 carregadores de 22 kW.

Também pode suportar:

20 carregadores de 7,4 kW com gerenciamento

mas não:

20 carregadores operando simultaneamente em potência máxima.

Por isso, a capacidade deve ser apresentada em conjunto com premissas de operação.


14. O laudo também deve avaliar a infraestrutura física

A análise não termina na demanda.

Mesmo que exista capacidade elétrica, é necessário verificar se a infraestrutura física suporta a expansão.

Devem ser avaliados, entre outros:

  • Quadros elétricos;
  • Alimentadores;
  • Eletrodutos;
  • Espaço físico;
  • Queda de tensão;
  • Proteções;
  • Aterramento;
  • Localização dos carregadores;
  • Distâncias até as vagas.

Uma conclusão de "há potência disponível" não significa automaticamente que "é possível instalar os carregadores".

A potência precisa chegar até o veículo com segurança e dentro dos limites técnicos da instalação.


15. O laudo deve considerar a estratégia de crescimento

Uma abordagem eficiente é dividir o planejamento em etapas.

Etapa 1 — Situação atual

Quantos carregadores podem ser instalados imediatamente?

Etapa 2 — Expansão

Quantos carregadores podem ser adicionados sem grandes alterações?

Etapa 3 — Saturação

Em que momento será necessário ampliar infraestrutura?

Etapa 4 — Futuro

O que será necessário para atender uma maior eletrificação da frota?

Essa abordagem evita que o condomínio faça uma grande obra antes de existir demanda real.

Ao mesmo tempo, evita que cada novo carregador exija uma nova obra.


16. O que um bom laudo de demanda deve entregar?

Para um condomínio que está planejando infraestrutura de recarga, o estudo deve ser muito mais útil do que simplesmente apresentar um número.

Entre as informações relevantes estão:

  • Caracterização da instalação;
  • Histórico de consumo;
  • Histórico de demanda;
  • Curvas de carga;
  • Identificação dos períodos de pico;
  • Análise de sazonalidade;
  • Análise de dias úteis e finais de semana;
  • Identificação das principais cargas;
  • Capacidade do transformador;
  • Capacidade dos alimentadores;
  • Demanda atual;
  • Demanda projetada;
  • Margem disponível;
  • Simulação de cenários de recarga;
  • Avaliação de gerenciamento de carga;
  • Projeção de crescimento;
  • Recomendações de infraestrutura;
  • Conclusão sobre a capacidade de expansão.

Checklist para síndicos

Antes de contratar um estudo de demanda para instalação de carregadores, verifique se a análise contempla:

  • Histórico de demanda suficientemente representativo;
  • Curva de carga;
  • Análise dos horários de pico;
  • Sazonalidade;
  • Verão e períodos de alta ocupação;
  • Dias úteis e finais de semana;
  • Principais cargas do condomínio;
  • Capacidade do transformador;
  • Demanda contratada, quando aplicável;
  • Infraestrutura elétrica existente;
  • Carregadores já instalados;
  • Cenários de expansão;
  • Gerenciamento de carga;
  • Crescimento futuro da frota elétrica.

Conclusão: não dimensione carregadores olhando apenas para o transformador

A pergunta:

> "Quantos carregadores podemos instalar?"

não pode ser respondida olhando apenas para a potência do transformador ou para o maior número disponível na placa do equipamento.

Um condomínio é uma instalação dinâmica.

Seu consumo muda durante o dia, entre os dias da semana e ao longo das estações do ano.

No verão, a demanda pode ser diferente do inverno. Durante férias e feriados, a ocupação pode mudar. E, conforme aumenta a quantidade de veículos elétricos, o perfil de carga do condomínio também muda.

Por isso, um bom laudo de demanda precisa analisar histórico, curva de carga, sazonalidade, infraestrutura existente e crescimento futuro, além de simular como os carregadores irão interagir com o restante da instalação.

E, quando o condomínio está na área de concessão da Celesc, é importante considerar também os critérios específicos aplicáveis às estações de recarga, inclusive o tratamento da recarga como carga especial no cálculo da demanda provável.

O objetivo não é descobrir apenas quanto o condomínio suporta hoje.

É descobrir como preparar o condomínio para a eletrificação dos próximos anos.

Se o seu condomínio está recebendo cada vez mais solicitações de carregadores, o primeiro passo não deveria ser escolher o equipamento.

Deveria ser entender a capacidade real da infraestrutura elétrica.

Um estudo de demanda bem elaborado pode indicar se é possível instalar novos carregadores imediatamente, quantos pontos podem ser atendidos, quando será necessário ampliar a infraestrutura e onde o gerenciamento de carga pode evitar investimentos desnecessários.

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